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Pequenas empresas mostram como inovar

 

É possível uma pequena empresa brasileira desenvolver um produto inovador, com tecnologia de ponta mundial, tendo apenas três engenheiros na equipe interna de pesquisa e desenvolvimento (P&D)? Pela experiência da Brapenta Eletrônica, com sede em São Paulo (SP), a resposta é sim. Em julho deste ano, após cinco anos de trabalho, a empresa lançará no mercado um equipamento de inspeção por raios X que detecta contaminantes sólidos em produtos alimentícios. O equipamento, que consumiu mais de R$ 2,5 milhões em P&D, deverá dar um retorno rápido do investimento. Com preço de venda 40% menor que os modelos importados, já há fila de espera de clientes no Brasil e exterior.

Para desenvolver o produto, a Brapenta contou com uma dezena de parceiros, entre empresas, instituições de pesquisa e agências fomento à inovação. Trata-se de um exemplo de gestão eficiente da inovação, que será apresentado durante a VIII Conferência Anpei de Inovação Tecnológica, de 19 a 21 de maio, em Belo Horizonte (MG). Promovido pela Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), o evento é o mais tradicional e representativo do setor no País.

Segundo o diretor da Brapenta, Martin Izarra, o projeto do aparelho de inspeção de alimentos por raios X passou a ser concebido em 2003, quando começaram a ser estudadas as tecnologias possíveis de aplicação no equipamento. “A curva do conhecimento é a parte mais demorada de um projeto”, conta ele. “Por isso, fomos atrás de especialistas para reduzir esse tempo.” Do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), saiu um projeto que converte os raios X em luz visível. As empresas Kognitus e Inovax, ambas da incubadora da Coope/UFRJ, foram responsáveis pelo desenvolvimento dos mecanismos para processamento de imagens, morfologia e interface homem-máquina. Já a empresa de software JR ficou incumbida do processamento digital. A Brapenta, por sua vez, desenvolveu a parte da engenharia mecânica, eletrônica e parte do software considerado segredo industrial.

Dos R$ 2,5 milhões investidos no projeto, 70% saíram do caixa da empresa. Os 30% restantes, de órgãos de fomento à inovação. O projeto do IPEN teve apoio financeiro da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). A Brapenta ainda conseguiu receber recursos do Programa de Subvenção Econômica da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que banca projetos inovadores com recursos não-reembolsáveis. A equipe de P&D interna da empresa também foi reforçada com a participação de engenheiros bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“Foram muitos fracassos até conseguir encontrar os parceiros certos e obter os recursos adicionais por parte do governo”, conta Izarra. Mas o principal de tudo, diz ele, é que a Brapenta encarou o projeto como um negócio independente. “Fizemos um plano de negócio e avaliamos muito, antes de investir”, conta Izarra. Na sua avaliação, o fato de a Brapenta ter certeza de que o equipamento agregaria valor à empresa foi essencial para não desistir diante dos obstáculos.

Além da Brapenta, mais duas empresas de pequeno porte mostrarão na Conferência Anpei como fazem a gestão da inovação: a Exsto Tecnologia e a 24x7 Cultural. Experiências nesse campo serão mostradas também por empresas de médio e de grande porte. Entre as primeiras estão a Nansen Instrumentos de Precisão, a Vallée e a Villares Metals. As grandes empresas são a Braskem, a Vale e O Boticário.

 

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