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Dia da Mulher: Brasileira é a 6ª mais empreendedora

Autor: Adriana Menezes / Agência Anhangüera Fonte: http://www.cosmo.com.br/cosmulher/integra.asp?id=220508 Data: 08/03/08

As múltiplas funções da mulher poderiam ser mais uma barreira do mundo moderno. Mas não são. Ao contrário do que se imagina, exercer o papel de mãe, mulher, profissional, filha, amiga e outras tantas atribuições não é impedimento para o sucesso feminino nos negócios, muito menos no Brasil. O País está em 6º lugar no ranking mundial das mulheres mais empreendedoras e é o 3 país no mundo onde elas têm maior participação na economia nacional.

O Brasil tem 6,3 milhões de mulheres empreendedoras, que correspondem a 38% do total de empresários brasileiros. Dentro do ranking mundial, as brasileiras são mais empreendedoras que as norte-americanas e as européias, e perdem apenas para as venezuelanas, tailandesas, jamaicanas, neozelandesas e chinesas.

Analistas de mercado e consultores concordam que o sexo feminino ainda se vê forçada a provar sua competência a toda hora, mas já é inegavelmente reconhecida por sua determinação, sensibilidade e visão.

A pesquisa foi realizada pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em parceria com o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) e o Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). No ranking de participação feminina na economia nacional, as brasileiras estão em 3 lugar, seguindo os passos dos Estados Unidos e da China.

Diferenças

"Há 15 anos, a presença masculina no empreendedorismo era majoritária, mas de lá para cá o número de mulheres tem aumentado significativamente", diz Roberto Gandara, consultor de empreendedorismo da Organização das Nações Unidas (ONU) e consultor do Sebrae.

Ele lembra que o Brasil é também um dos países mais empreendedores do mundo, mas a presença feminina é cada vez mais representativa. Não é à toa que haja uma brasileira, de São Paulo, entre as três finalistas do prêmio da ONU para Mulher Empreendedora, que terá seu resultado divulgado em abril, na África.

Na comparação entre homens e mulheres, Gandara acha que a mulher tem mais determinação, busca mais apoio e informação e procura enxergar o que acontece em sua volta. "Isso é um pouco de sua herança milenar de cuidar dos filhos e da casa" , avalia o consultor. "A mulher ouve mais que o homem e isso no ambiente empresarial é muito saudável."

Para ele, o machismo ainda está presente no Brasil, porque os homens ainda ganham mais que as mulheres na mesma função e a elas ainda têm que provar mais a sua competência no ambiente corporativo, mas no meio empresarial as diferenças são cada vez menores em muitos segmentos. O que ele observa é que há dois tipos de situação empreendedora: aquela por oportunidade e a outra por necessidade. A segunda ainda predomina no Brasil.

Necessidade

O consultor Werner Kugelmeier, da consultoria humano-empresarial WK Prisma, também identifica esse cenário: muitas brasileiras empreendem porque não encontram lugar no mercado. "Às vezes isso acontece mais por necessidade que por escolha", diz Kugelmeier. "Ainda assim, a situação mostra que a mulher brasileira está preparada para empreender e normalmente se sai bem."

O consultor defende que ainda é preciso existir mais oportunidades para o público feminino no Brasil, porque "ela tem uma vocação natural para as atividades múltiplas". "Está no DNA. São características naturais que o homem não tem, talvez por ela ser mãe, saber se relacionar com pessoas, saber administrar uma casa. São características intrínsecas", conclui.

A intuição feminina e sua atitude, portanto, fazem a diferença, especialmente no mundo empresarial, onde a todo tempo é preciso tomar decisões. "A mulher se arrisca a cair no erro, por isso as vantagens competitivas e todo o seu potencial deveriam ser mais explorados. Historicamente a mulher é guerreira e sempre encontrou obstáculos, mas ela sabe abordar melhor as situações de crise, enquanto o homem quase sempre chuta a perna do outro", diz Kugelmeier.

Espírito de luta supera os riscos

Depois de 11 anos em multinacionais do setor automobilístico, a administradora de empresas Fabiana Cabrine Pignatari, de 32 anos, tomou uma decisão radical: saiu do emprego para se tornar empresária. O seu espírito empreendedor valeu a pena, garante.

"Eu tive ótimos empregos e me coloquei muito bem no mercado, mas eu queria ser dona do meu nariz", diz Fabiana, que também se incomodava com a freqüência muito grande de viagens que fazia pela empresa. "Eu ficava muito tempo longe de casa." Casada há cinco anos, Fabiana ainda não tem filhos, mas percebeu que não era aquilo que queria para a sua vida. Em vez de desistir ou desanimar, ela resolveu arriscar. Em abril, ela completa um ano como empresária.

"A mudança foi radical. Quando saí da empresa, eu não tinha nada certo. Fiz pesquisa de mercado e achei que faltava uma loja de sapato diferenciado em Campinas", lembra Fabiana. Ela oferece 350 modelos de sapatos diferentes na loja Anoeh, que tem uma área de 250metros quadrados. "Não tenho dúvida nenhuma de que fiz a coisa certa."

Paixão é a marca dos negócios de sucesso

Escola infantil foi criada após observação das dificuldades do sexo feminino para integrar mercado

Indignação e paixão foram as motivações de Maria José Di Santo para se tornar empresária. Proprietária do Grupo Vivendo e Aprendendo, a advogada e "administradora da educação" construiu um complexo educacional que começou com 18 alunos na educação infantil, há 23 anos, e hoje atende 2,3 mil alunos do berçário ao nível superior.

Maria José lembra que a idéia da escola começou quando o filho da empregada não conseguia vaga na única escola particular do Jardim Garcia. "Não davam vaga porque achavam que ela não conseguiria pagar." Nessa época, as escolas públicas faziam greves constantes. Não havia outras opções no bairro.

Indignada, Maria José procurou resolver a situação e encontrou empreendedores dispostos a investir numa escola. Anos depois, ela assumiu o negócio, que está em forte expansão. Só na Vila Mimosa, o total de alunos saltou de 190 para 360, entre 2005 e 2006.

O grupo deve concluir em 2008 uma ampliação de 10 mil m2, no Jardim Garcia, onde implantará piscina semi-olímpica, quadras esportivas e novas salas. O Vivendo e Aprendendo emprega 250 pessoas e está presente em quatro bairros, somente em prédios próprios.

"Eu me vejo como educadora, porque no dia em que eu só enxergar cifras, o negócio desanda. Educação dá muito trabalho e precisa ser feita com paixão", explica. O seu sucesso ela atribui a esse ingrediente passional, além do seu perfil "agressivo e desbravador", como se define.

Maria José também destaca a boa administração e a responsabilidade pedagógica. Entre os fatores externos, acredita ter conseguido atender a uma demanda reprimida da educação nos bairros Jardim Garcia, Vila Mimosa, Jardim São Bento e Jardim Paulicéia.

"Eu montei escola de rico para pobre", diz Maria José, que não pensa em estacionar. Em 2006, ela abriu o Instituto de Educação e Ensino Superior de Campinas (Iescamp), que já tem 300 alunos em suas faculdades. O seu ritmo sempre foi frenético e incansável. Quando começou com o ensino fundamental, demorou apenas 13 anos para oferecer também o ensino médio, depois criou o Instituto Educacional Raphael Di Santo e em 2006, as faculdades.

Exemplos individuais e em grupo se multiplicam

Cidade conta com referências nacionais em várias áreas, como a social, por exemplo

Celeiro de tecnologia de ponta no Brasil, berço de inovações e mercado consumidor modelo, Campinas não poderia ser diferente no acolhimento às mulheres. Na cidade, não faltam exemplos. Silvia Brandalise, do Centro Infantil Boldrini, e Silvia Bellucci, do Centro Corsini, são hoje referências nacionais em suas áreas de atuação.

Todo mundo conhece pelo menos uma mulher que seja a mola mestra da instituição. Pode ser a sua mãe, a minha, a irmã, a amiga, a tia ou a vizinha. Não existe classe social para a ação feminina. Desde a ex-catadora de papel Dalva (batizada como Maria das Dores Ribeiro Lemes), que hoje é empresária do ramo de supermercados no Jardim São Marcos, até a também empresária Miriam Penteado Kuhlmann, que de um quarto na casa da mãe transformou as empresas Antik e La Façon em uma marca de sucesso nacional.

Não há setor restrito à atuação feminina. A presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) e vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), Adriana Flosi, foi uma das pioneiras na cidade no mercado de Pet Shops, quando abriu em 84 a DrogaVet, associada à clínica do seu marido, o veterinário Francis Flosi. Ela comanda duas lojas e uma escola de pós-graduação em veterinária.

Também em Campinas, Marlene Tuffi abandonou a carreira de infectologista na década de 80 e passou a encabeçar os negócios do marido: Microcamp (com 160 unidades), escola de inglês ABC (com 97 unidades), fazendas, restaurantes, cafeterias e agência de viagens.

Adriana Borgo, mãe de uma família de oito filhos, conseguiu conciliar sua vida familiar e atuar como presidente da Associação dos Familiares e Amigos dos Policiais do Estado de São Paulo (Afapesp), além de ajudar no projeto Luz e Vida e ainda ter tempo para criar o projeto Letras do Saber, de alfabetização de adultos, e o projeto Pingo de Gente, com atividades para crianças pobres.

A liderança feminina, em geral, se manifesta muito cedo. Selene Ferreira começou a trabalhar aos 14 anos. Hoje, aos 36 anos, percorreu uma carreira de impressionar homens e mulheres, além de ser dona de casa e mãe de três filhos. Selene é diretora de expansão da SP Central de Negócios e Franchising.

Em grupo, as mulheres também contribuem para a sociedade e a economia do País. O Grupo Primavera, criado em 1981, desenvolve trabalhos de prevenção à prostituição e ao tráfico de drogas do Jardim São Marcos e da região dos Amarais em Campinas. A instituição reforça a auto-estima das meninas adolescentes. Atualmente, a ONG atende 380 adolescentes em situação de risco. 

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