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Abinee: Inovação, Ciência e Tecnologia são 'armas' no combate à crise

Em artigo, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, elenca os impactos da crise financeira mundial no país. Ele define o atual momento como inusitado e desmistificador.

Inusitado porque apresentou intensidade de contágio que não se conhecia anteriormente. Reflexo da globalização financeira e produtiva das últimas duas décadas, em menos de um ano, a crise produziu estragos cuja rapidez e vigor são piores do que os distúrbios do final da década de noventa nos países do leste asiático e na Rússia ou a conturbação produzida pela multiplicação do preço internacional do petróleo na segunda metade dos anos 70.

Segundo Barbato, a crise evoluiu de um problema de inadimplência no mercado hipotecário americano para uma situação de restrição à liquidez, isto é, de estancamento das linhas de crédito mundo a fora. A insegurança gerou uma crise de confiança sem precedentes, o que vem produzindo restrição/interrupção dos fluxos de comércio, volatilidade cambial e queda da produção. Deixará como legado, além de um contingente elevado de desempregados pelo mundo, entre 20 a 30 milhões, uma situação fiscal crítica para vários países, a exemplo do que já ocorre nos EUA.

A hecatombe financeira também foi desmistificadora. Isso porque a idéia de que os países emergentes (BRICs) estariam “blindados” se revelou desastrosa, reforçou o presidente da Abinee. A queda de 12,7% da produção industrial brasileira e as 630 mil demissões em dezembro retratam o complexo emaranhado comercial e político que envolve as nações atualmente.

Segundo ele, "terminou o tempo de posições autóctones em que o protecionismo imperava como vetor da política econômica de um país". O que se constata, observa Barbato, é que as condições estruturais internas de uma nação podem ajudá-la a enfrentar melhor os reflexos da crise. Os fundamentos econômicos, representados no arranjo da política monetária, fiscal e cambial, não evitam os impactos da crise, mas permitem que a economia doméstica sofra menos e que, ao final do processo, possa estar mais fortalecida do que antes.

No ponto de vista defendido por Barbato, o Brasil é um desses países que pode sair fortalecido da crise. Para que isto ocorra, no entanto, é necessário trabalhar concomitantemente com duas agendas. Uma de curto prazo, voltada para combater a calamidade imposta pela crise.

A outra, de mais longo prazo, em que se construam as condições para que o crescimento do país possa retornar aos patamares do período pré-crise, ou seja, para que se possa voltar a crescer entre 4% e 6% ao ano.

O representante da indústria eletroeletrônica lembra que várias propostas já foram apresentadas ao governo por diversos setores da sociedade. Para Barbato, o estreitamento dos laços entre governo e o setor privado é crucial para que se construam as duas agendas em resposta ao presente e como solução para o futuro.

Os entendimentos, na visão do executivo, mostraram que é possível abrir espaço para o investimento público e privado. Para tanto é necessário, ao separar didaticamente a agenda de curto da de longo prazo, não ignorar ações que estabelecem um elo entre esses dois objetivos, destaca ainda o presidente da Abinee.

"Essas ações residem nos investimentos em infraestrutura e numa plataforma de compras governamentais o fio que une as duas agendas mencionadas. Por isso, a aceleração dos investimentos previstos no PAC e no plano estratégico da Petrobras, a reativação do programa Luz para Todos, a ampliação do uso dos recursos do FGTS para o financiamento imobiliário, construção civil e saneamento, preservando o Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS) para a infraestrutura são medidas mais do que necessárias para atender à superação desse momento de turbulência e, ao mesmo tempo, criar um caminho seguro para os próximos anos", ressalta Barbato.

Além disso, observa o presidente da Abinee no seu artigo ao mercado, "é momento para se pensar de maneira séria e definitiva nas reformas estruturais que o País precisa sofrer. Melhorar o ambiente institucional por meio de uma regulação adequada, menor carga tributária sobre produção, investimento e exportações e maior estímulo à formalização do trabalho respondem às dúvidas do presente e dão solidez para a prosperidade".

Mais uma vez, Barbato observa que a curto prazo é preciso que a Autoridade Monetária insista em novas reduções da taxa de juro e que questione o elevado spread bancário, bem como é de igual importância que o governo faça uso de seu poder de compra para auxiliar os setores mais atingidos pela crise.

Programas que visem à renovação da frota de veículos e outros bens de consumo, à aquisição de medicamentos para distribuição pela rede SUS e que permitam a criação de estímulos para algumas cadeias produtivas, principalmente aquelas que comportem maior número de micro e pequenas empresas são decisivos nesse momento.

Ao finalizar a exposição do seu ponto de vista, Barbato recomenda uma boa dose de ousadia nas ações de médio e longo prazo. Para o executivo, utilizar o BNDES para financiar a aquisição de máquinas e equipamentos por clientes de empresas brasileiras em outros países é um avanço. Recursos do Fundo Soberano também poderiam servir a esse propósito.

Além disso, encarar a inovação como fator diferenciador da estratégia do desenvolvimento poderia propiciar maior integração entre empresas e universidades. Ao governo caberia universalizar a inclusão digital - porta de entrada dessa estratégia - e ampliar o uso efetivo dos fundos específicos do setor (FUST, FUNTEL, FISTEL). "Neste caso, ciência e tecnologia conspiram por um futuro de sucesso", finaliza o presidente da Abinee.

Fonte: http://www.convergenciadigital.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=18166&sid=11

Data: 20/03/09

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